Fogueira das marcas
- comportamento, publicidade | Time: 7:06 pm (UTC+8) No Comments »
Samsung apresenta um formato mais maduro de interatividade através do Youtube
Na mais recente campanha da Sprint, operadora gringa, os consumidores estão sendo estimulados a veicular vídeos de seu cotidiano, inserindo neles um dos aparelhos oferecidos pela marca. A troco do quê? 20 dólares.
Mas não se trata de uma promoção, em que os melhores vídeos serão contemplados com 20 dólares. A promessa da Sprint é premiar todos aqueles que fizerem uploads de seus vídeos com Home Product Placement no Youtube.
Incrível. Pra quê gastar milhões em filmes holliwoodianos — cuja inserção da marca se dá em segundos (ou frações de segundos, em alguns casos) –, se você pode falar sobre e diretamente com seu consumidor? Ainda mais se essa segunda via se dá por meio da internet, um meio com afinidade altíssima entre esse target.
O mais legal é que a propaganda não tenta usar um discurso que mascare as intenções marketeiras. Eles não escondem o jogo e são objetivos.
Já tem vários vídeos no Youtube. Confira alguns exemplo após o jump.
Consegui, finalmente, ver todos os vencedores da categoria Film, de Cannes. Foram mais de 50 vencedores em Bronze, mais de 30 em Silver, mais de 25 em Gold e 6 no GP.
Fiz uma lista dos mas bacanas que vi, em suas respectivas categorias:
Bronze:
Coca-Cola - Happiness Factory: a documentary
Paso Toros - Besos
Kozerthans Dortmund
Allbran - Construction Worker
Smirnoff - Purified
Axe - The gamekillers
Chevrolet Luv Dmax - Make your own road
Life Savers - Muffin Top
Petronas - Dinosaur
Guiness - Tipping Point
Monster - Cegonha
Coca-Cola - The Unhuggables
Cyloop - Rapper
OMO - Dirt is good
Audi R8 - The slowest car
GQ - Ideal Man
Orange - Rewind
Philips - Satinelle
Silver
Allan Gray Investment - Beautiful
Renault Logan - Pablo y Mariana
Sony Walkman - Music Pieces
VW Polo - Confidence
Casa do Zezinho - Teste
JC Penney - Christmas
Play TV - Barba
Gold
Skoda - Cake
Sony Bravia - Play Doh
Axe Dark Temptation - Chocolat
Transport for London - Awareness Test
Skittles - Midas Touch
Crest - Smile
Sylvania - Lightbulb
GP, todo mundo sabe que ganharam Halo e Cadbury. O primeiro, acho sensacional; o segundo, nem tanto.
Outra coisa, na maioria dos filmes, as agências estão listadas nas descrições dos vídeos.
Até a categoria de tintura para cabelo, que nunca teve uma comunicação consistente e lembrada, está lançando mão de certa interatividade.
Esse ano, houve um experimento de uma certa agência européia, em que, após entrar num site e assistir a um vídeo, você digitava o número de seu celular e um dos personagens ligava para você. Era estranho, porque eles falavam um idioma desconhecido, mas não deixava de ser uma idéia bacana.
A C&A veio logo em seguida com uma idéia semelhante e conseguiu gerar certo buzz.
A Imédia Excellence, um pouco atrasada, lançou um site com mecânica semelhante, ampliando cobertura para telefones fixos, tanto no Brasil, quando no exterior. A idéia é boba: ao entrar no site, vemos uma suposta amiga da Grazi Massafera, dizendo que ela está animada com alguma novidade que será lançada. Em seguida, ela pede o telefone do espectador e manda uma mensagem de texto para a Grazi, que aparece no frame seguinte. Enquanto ela digita o telefone no celular, o telefone que você digitou toca e ela fala da tal novidade.
Pra quem tiver curiosidade, segue o link.
Tava lendo no Adweek sobre virais. E é engraçado que, enquanto aqui a cultura do viral ainda está em alta, assim como a cultura de guerrilha, lá fora (leia-se Estados Unidos), os caras já tentam reinventar essa ferramenta, até porque ela já virou lugar-comum. A galera daqui que é mais ligada em trends não precisa ler um texto gringo pra perceber que a informação está cada vez mais saturada; um viral novo, se não for absurdamente sensacional, cairá nesse conluio de informações.
Publicidade como entretenimento? Ok. Pode funcionar por mais um tempo. Mas não é muito mais válido oferecer um viral que seja uma aperfeiçoamento de um serviço?
Esse raciocínio é ilustrado no texto com uma comparação entre dois virais, o subservient chicken, do Burger King, e o pizza builder, do Domino’s. O primeiro tem fins claramente cômicos: um cara vestido de frango que faz um grande número de atividades, basta digitá-las e enviá-las. No caso da Domino’s, a ferramenta criada permite ao usuário adicionar os ingredientes que quiser em sua pizza, nomeá-la e tê-la entregue em sua casa. Prático e funcional.
O Nick Law, CCO da R/GA, fala sobre isso com uma frase-chave no texto todo: “When you create a utility, you’re creating something that gives people time back”. Porque é isso mesmo, as pessoas estão cada vez mais sem tempo, e a publicidade como conhecemos, encontra cada vez mais dificuldades para quebrar essa barreira da escassez do tempo.
Compareci nos três dias de Top Planejamento Estratégico 2008 e, em meio a muitas idéias e metodologias de trabalho, fiquei encucado com uma coisa: todos os palestrantes, sem excessão, vendiam, como principal diferencial de suas agências, a total integração entre o Planejamento e a Criação. Ok, legal, mas isso não deveria ser a premissa de qualquer agência?
Sabemos que o mercado de publicidade brasileiro está atrasado em alguns aspectos, mas, num panorama geral, esse atraso é relevado pela qualidade final do trabalho, propiciado pela mundialmente-aclamada direção de arte. Não se pode, entretanto, tapar o sol com a peneira e fingir que está tudo bem, obrigado.
Você percebe que tem algo errado quando quase todas as agências estão falando em integração de departamentos, uma discussão tão antiga que chega a ser tediosa. Ficou muito claro que, algo que fica tão bem no plano teórico — essa integração –, no plano execucional chega a ser pífia.
Resultado: tudamesmacoisa. Ou melhor, esse diferencial, que não chega a ser nem um pouco diferencial, como vimos, é defendido com teses diferentes por parte das agências — é só dar uma olhada no site delas, naquela parte boring de filosofia e missão.
O desafio é mostrar isso da maneira mais peculiar. A PeraltaStrawberryFrog, por exemplo, disse que o cliente senta com eles em todos os processos de trabalho e também dá idéias, podendo ser vetado como qualquer outro da agência… Conversa pra boi dormir?
Como a maior parte das pessoas, faço algumas projeções para o ano que se inicia, torcendo para que algumas delas, mesmo que seja uma ou duas, se realizem. Um assunto que sempre acaba ganhando uma atenção especial é o meu trabalho. Por mais estável que possa estar em meu trabalho, fico numa neura sem fim, pensando na minha relevância àquele ambiente e à minha vida. Preocupo-me em não estagnar, aprendendo coisas sempre novas, mas questionando-me se vale a pena fazê-lo em detrimento de uma disciplina que eu ainda não sei se realmente acredito: a publicidade.
A publicidade nasceu com o intuito de comunicar novos produtos, todos sabem. Embora o formato tenha mudado drasticamente desde sua “fundação”, a publicidade sempre se sustentou no desconhecimento do público, dizendo o que quisesse sobre esses novos produtos… Algo análogo ao efeito placebo, disse o Seth Godin.
O consumidor, no entanto, mudou tanto quanto, ou até mais que os produtos, uma vez que o mesmo assistiu à disposição de novas ferramentas de informação totalmente simplificadas — em cerca de minutos o mistério de seu funcionamento cai por terra e elas passam a ser dominadas. Antigamente, se um diretor de arte quisesse copiar descaradamente uma peça que tivesse visto em um anuário estrangeiro, fazendo algumas alterações, ele poderia fazê-lo sem medo de ser rechaçado. Não teria dedos apontados em seu rosto, acusando-o de plágio.
Se a relação do consumidor com a informação, e também com as mídias, mudaram, o panorama publicitário deve, por conseguinte, ajustar-se sem hesitação. Muito mais da agência para afora, que da agência para dentro — até porque, acredito que os planos de comunicação (em que algumas poucas idéias devem ser defendidas ferozmente com belas palavras e slides ad infinitum) ainda perdurarão, bem como o esquema de atendimento. Os criativos têm a ciência de que não adianta inspirar-se em alguma campanha estrangeira e protegê-la sob o elmo da referência. O consumidor informado não é idiota.
A tendência é que esse mesmo tipo de consumidor construa sua base de valores de forma independente à propaganda. Esta não será tão mais necessária para divulgar algum lançamento. As guerrilhas podem ajudar, mas o relacionamento direto das marcas com seus consumidores, através do ferramental da informação, é um aliado muito mais forte que a propaganda. Advertainment? Talvez até consiga preservar a alma cool da publicidade por algum tempo, mas o nonsense maximizado acaba por transformar o comercial em uma espécie de curta-metragem entre os programas — o appeal deve ser grande para que alguém queira assistir a comerciais além dos próprios publicitários. E se a função da publicidade deixa de ser a divulgação, e passa a ser o entretenimento, então qual seria o real motivo de sua existência?
O dia dos namorados lá fora (dia de São Valentim) foi semana passada, e, não diferente daqui, as agências aproveitaram para comunicar os produtos de seus clientes. Algumas optaram pelo óbvio, outras nem tanto. De qualquer forma, é uma boa época pra analisar o que essas agências fazem para sair do óbvio.
A 72andSunny manteve a linha do “nonsense-jovial” para o Zune. Aquele papo de não se importar muito em apreender o conteúdo do comercial, porque, na realidade, não existe conteúdo nenhum. Além disso, a preocupação com a construção de elemento visuais inerentes à campanha, parece ser muito maior que a construção de marca ou endosso do produto: você acha a campanha legal, bonitinha e tudo-o-mais, mas pode não se recordar posteriormente que se tratava do Zune. Não há promessas, benefícios nem features. Só a marca ao fim.