February 6, 2008

Paranoid Park

Fui assistir ao filme com boas expectativas. Aquela história de sempre: prêmio em Cannes, vai bem nas críticas, ad infinitum.

A história é sobre Alex, um pseudo skatista que, após ser convidado por um de seus amigos, vai para o Paranoid Park, uma pista de skate construída ilicitamente por outros skatistas. Lá, Alex entra em contato com a juventude marginal de sua cidade, além de se envolver em um delito.

Não vou me aprofundar mais no roteiro, até porque, qualquer detalhe revelado pode estragar a plot twist que ocorre durante a película. Quero apenas deixar registrada minha decepção com o filme. Eu sabia que não podia esperar muito de uma história que envolvesse skate. Mas, meu, ganhou prêmio no Festival de fucking Cannes. Tinha que haver algo de bom.

O filme é recheado com digressões. Tantas que o tornam moroso, confuso e chato. O resultado é conhecido: diversos dejà-vús; você sempre acha que já assistiu à determinada cena. A sensação de dominar o filme, ou se sentir parte do roteiro, querer descobrir a trama que ainda é devir, simplesmente não existe. Olha-se para o relógio frequentemente. Até ele não ajuda: as horas parecem passar mais devagar.

Fade in e fade outs também não colaboram. São lentos demais.

Os créditos ficam com a trilha sonora. É curiosa, interessante e torna momentos críticos e tensos em episódios que beiram à comédia.

January 14, 2008

Preto e branco

Antigamente, eu achava que torrent era a coisa mais insensata do mundo. Digo, torrent pra filmes. Sabe, deixa seu computador ligado por uns dias só pra pegar um mísero filme, discografia, etc.? Até parece, né? (Alô, Eletropaulo, coloca meu nome na lista VIP?)

O conceito acabou mudando, todavia. Agora eu baixo, pelo menos, um filme por semana. Mas só filme mesmo. Baixar episódios de seriados — cujo tamanho é igual a de um filme — ainda me parece auto-agressão.

Na última remessa de downloads, assisti Borat e Tekkonkinkreet — Preto e Branco, aqui no Brasil. O primeiro filme dispensa comentários e o buzz já o vende. Já o segundo, menos conhecido, merece destaque, sobretudo pela bela narrativa visual inerente às animações japonesas.

Gosto de anime, mangá, hq e todo tipo de ícone do universo da cultura pop. Então, antes de assistir a esse filme, já estava certo de que iria gostar do que ia ver — algo como ver qualquer filme do Hayao Miyazaki, sabe? Eu já sabia que o diretor do filme era americano, mas as críticas positivas previamente lidas destruíram qualquer barreira que eu pudesse ter construído em relação ao filme. Desencanei total.

O filme conta a história de dois irmãos órfãos, Preto e Branco, que vivem na fictícia (mas não menos verossímil) Cidade do Tesouro, onde a ausência de órgãos de segurança legais abre espaço para outras organizações, como os yakuza, imporem suas regras, usando dos meios que julgarem convenientes (leia-se violência). Mas os irmãos relutam e fazem prevalecer seu domínio, sendo tão ou mais violentos que os outros. Por causa de sua influência, Preto e Branco passam a ser perseguidos por uma organização que tenta construir um parque de diversões na cidade. Daí em diante, o roteiro revela mistérios acerca dos irmãos, desenvolve bem suas personalidades e se desenrola tendo como pano de fundo as quatro estações.

O mangá que originou a animação, foi escrito por Taiyou Matsumoto, e foi lançado aqui pela Conrad. Na época, não tive curiosidade de ler. Achava alternativo demais.


January 10, 2008

Ain’t Johnny

Pude, enfim, assistir ao novo filme do Selton Mello, Meu nome não é Johnny. Antes, porém, de dizer qualquer coisa, devo confessar que num momento anterior ao buchicho todo que o filme tá tendo, eu não dava NADA pra ele, sobretudo por causa do nome do filme que ainda me causa estranhamento. Neuras à parte, posso dizer que o filme é bom, mas nada muito sensacional. Selton Mello está ok como João Estrela, mas, por vezes, sua veia cômica extravasa e desvia a atenção supostamente dirigida ao enredo. Esse comicismo, deve ser dito, permeia todo o filme e todos os personagens, talvez numa tentativa de ser uma válvula de escape para um assunto que ainda é tabu: o consumo e tráfico de drogas. A Cleo Pires está ótima. Fazendo papel dela mesma. Porque, vocês hão de convir, não há uma personagem sequer que ela faça e que convença; sempre fica aquele resquício, aquele “quê” de “acho que já vi ela fazer isso”.

Quem surpreende, entretanto, não é nenhum dos protagonistas, mas o ator Luís Miranda, que também deu as caras em “Sob Nova Direção” e “Terça Insana”. Ele sim usa o bom-humor na medida e hora certas em seu papel de presidiário-trincado-de-cocaína. Sempre quando ele aparecia, eu podia notar que as pessoas sentadas perto de mim se preparavam para mais uma cena engraçada, esboçando sorrisos ansiosos. Achei uma pena ele ter aparecido tão pouco.