May 2, 2008

Fontes

Só coisas muito bacanas para me tirarem da inércia de não-postar no blog — a falta de tempo também é fator decisivo, mas acho qe isso não vem ao caso.

Conhecem o FontStruct? Como o nome já diz, o site permite que você construa fontes e baixe gratuitamente fontes feitas por outros usuários. Sensacional.

O site é ideal àqueles que seguem à risca a frase “quando você quer uma coisa bem feita, faça você mesmo”.

January 29, 2008

Google Bible

Não, não é verdade. O Google não lançou uma nova engenhoca baseada no livro mais-vendido-do-mundo. Trata-se do trabalho sensacional da Glue Society, entitulado God’s Eye View (cross, moses, ark, eden). A proposta, como o próprio nome diz, é retratar alguns dos principais eventos bíblicos sob a ótica do criador.

Tem a imagem da Arca de Noé, Moisés abrindo o Mar Vermelho, o Jardim do Éden e o local da Crucificação.

Via.

January 19, 2008

Herótica

Ontem fui à estréia de Herótica — Cartilha Feminina para Homens Machos, no Teatro Augusta. A peça traz Karina Barum, Márcia Manfredini e Iná de Carvalho interpretando uma mesma mulher em épocas diferentes de suas vidas: uma aos 30, outra aos 40 e a terceira aos 50. Entre outros, elas discutem a mania obsessiva que o homem tem por seu pênis, os tabus da sociedade falocêntrica e o papel subjugado da mulher pelos discursos machistas que, segundo o texto, está totalmente fora de moda. Darson Ribeiro faz papel antagônico e se senta em meio à platéia, questionando-as freqüentemente sobre o que querem, afinal, num relacionamento.

As atrizes são boas, encenam bem, embora uma delas, a que interpreta a mulher mais velha (Iná de Carvalho?), estivesse um pouco nervosa e esquecesse seu texto em diversas passagens da peça. O espetáculo começa quente, fica morno no meio e finda com um frio discurso panfletário e moralista — nada mais chato, convenhamos.

Dei umas cochiladas no meio da peça. Não agüentava o constante sobe-e-desce das atrizes do palco para a platéia, muito menos o jogo de perguntas e respostas encenado por elas e por Darson, o típico machista. Há uma tentativa de despertar novamente o interesse da platéia na metade da peça, quando as três mulheres recorrem a um homem aleatório sentado nas poltronas, fazendo-o subir até o palco e simular uma pose sexual. Chato, bobo, chiché e nada catártico.

As mulheres, acredito, são as que mais gostaram de Herótica. É claro, ver alguém verbalizar tudo aquilo que você sente, mas nunca teve coragem de dizer, deve ser delicioso. Mais delicioso ainda é ver o homem humilhado frente à grande platéia e pretensamente culpá-lo por todos os males sociais. Elas acreditam que o discurso machista está fora de moda; o feminista, praticado amplamente, é a solução ara seus problemas.

O que mais gostei foi que, ao final, na saída do teatro, distribuíam dados para homens e mulheres jogarem uns com os outros. Ao invés de números, as frases: tire duas peças de roupa, coloque uma peça de roupa… a moral é despir seu combatente. A única coisa divertida da peça, de fato.

EDIT: engraçado também os homens pagarem meia para entrar…

January 9, 2008

Duas notícias de ontem…

Mas, ainda sim, interessantes.
A primeira é que, finalmente, encontraram os quadros furtados do MASP e os ladrões foram presos. Os dois suspeitos de furtar as obras O Lavrador de Café, de Portinari, e O Retrato de Suzanne Bloch, de Picasso, do MASP, no dia 20 de dezembro, teriam participado das outras duas tentativas de roubo ao museu. A primeira delas ocorreu no dia 28 de outubro e a segunda, no dia 17 de dezembro, quando ladrões tentaram invadir o prédio com o uso de um maçarico.

A segunda é mais bobinha, mas confirma que o fenômeno Harry Potter está se estendendo para mídias outrora inimagináveis. Ontem, dia 8 de janeiro, na prova de Biologia, da segunda fase da Fuvest, os vestibulandos se depararam com a seguinte questão — se você é avesso à genética, recomendo encerrar a leitura do post por aqui:

Na revista Nature, em 11 de agosto de 2005, foi publicada uma carta em que os autores sugeriram que as histórias
do jovem “bruxo” Harry Potter, escritas por J. K. Rowling, poderiam ser úteis no ensino da hereditariedade.
Nessas histórias, os indivíduos podem ser “bruxos” ou “trouxas”.
I. Harry Potter é filho único de um casal de “bruxos”.
II. O amigo de Potter, Ron Weasley, é “bruxo” e tem pai e mãe “bruxos”. Os irmãos de Ron, Fred e George, e
sua irmã Gina também são “bruxos”.
III. A jovem “bruxa” Hermione nasceu do casamento entre uma “trouxa” e um “trouxa”.
IV. O “bruxo” Draco Malfoy, inimigo de Potter, tem pai e mãe “bruxos”.
Com base nessas informações, responda:
a) Supondo que ser “bruxo” ou “trouxa” é um caráter hereditário monogênico, qual(quais) das famílias permite(
m) concluir que o gene que determina tal característica não se localiza no cromossomo X? Justifique.
b) O “bruxo” Draco Malfoy despreza pessoas como Hermione, que têm pais “trouxas”, pois se considera um
“bruxo” de sangue puro. Se vierem a se casar com “bruxos”, quem tem maior probabilidade de ter crianças
“bruxas”, Draco ou Hermione? Por quê?

Acho que o que motivou a pessoa que formulou a prova, foi:
1. mostrar que o vestibular da Fuvest não é tão quadradinho quanto pensam que é;
2. dar continuidade à “modernização” do vestibular, implementada no ano passado;
3. em menor escala, descontrair o vestibulando com algo que lhe realmente lhe parecesse familiar e que fizesse parte de seu universo — apostar em Harry Potter foi uma escolha sensata, dado sua grande penetração na massa de leitores.

Acho que os fãs de Senhor dos Anéis — inquisidores fervorosos de H.P. — não devem ter gostado muito…

December 19, 2007

Refresh: Grafite


Se tem um tipo de arte — embora muitos não a considerem como tal — que eu considero uma das mais cool, justamente por ser a menos pretensiosa, é o grafiti. A palavra “graffiti” é o plural de “graffito”, que deriva do grego e significa escrever, grafar. Outrora associado somente ao Hip Hop e a cultura dos guetos de Nova Iorque, o grafiti se disseminou por todo o mundo, bem como as leis que o baniram em quase todos os lugares. Alguns locais oferecem paredes, que figuram como telas gigantescas, onde o grafiteiro pode fazer sua arte sem nenhuma restrição. Todavia, o espaço é limitado e os trabalhos são constantemente substituídos.

O mais engraçado, é que o grafite persiste desde o Império Romano, em que o ato de grafitar era atribuído ao que hoje chamamos de pichar, ou seja, toda e qualquer intervenção em muros públicos, que tenham um tom social ou simplesmente se propõe a ser uma extensão de uma parte do inconsciente de alguém. Além disso, o grafite tem raízes na Itália, mais especificamente na década de 60, alimentado pelo movimento contracultural.

O propósito desse post, e dessa coluna, que eu chamo de Refresh, é postar uma série de referências que podem lhes servir ou não; mas o intuito é sempre abrir um leque de opções relacionadas a determinados assuntos.

A começar pelo Graffitti Creator, que é um site que disponibiliza alguns tipos de “fontes” que se assemelham àquelas que os grafiteiros geralmente utilizam. Existem algumas variações, de fontes para você testar e passar um tempo considerável desenvolvendo o símbolo que melhor lhe representar. Além disso, existe uma comunidade virtual e uma galeria de arte que contém fotos de paredes de algumas partes do mundo.

O Lost Art é um site que fornece ótimas referências sobre grafite em âmbitos nacional e internacional. Nele, é possível encontrar pérolas dos famosos Gêmeos e outros grafiteiros, além de imagens que seguem os temas que lhes introduzem: outdoor, style, travel e life. Tudo com muito gosto e design interessante.

Vale a pena também dar uma olhada nas páginas de grafites disponível no Flickr. Como se trata de um tema quase universal, as fotos que são enviadas, foram capturadas em países como México, Estados Unidos, Austrália e vários outros países da Europa.

Mas se tem um artista bem repercutido, cujo trabalho é pautado pela temática sócio-econômico, esse cara é o Banksy. Não se pode dizer que ele é um grafiteiro por natureza, sobretudo pelo fato de utilizar, na maior parte de seus trabalhos, estencils. Mas a intenção é válida, as ilustrações são interessantes e a crítica provoca reflexão — que é o mais importante, convenhamos.

E para fechar esse primeiro post do Refresh, uma reportagem feita para o canal Futura, e que abordou o universo dos grafiteiros:


Update: hoje, 23/12, o programa Domingo exibiu uma matéria sobre como o grafite está ampliando seu poder de fascínio: se antes ele estava legado à ilicitude das ruas, agora os grafiteiros são convocados para fazer suas intervenções dentros das casas das pessoas. O programa também abordou a mudança de paradigmas: de marginalidade à arte.