Novas mídias e o anacronismo
Não vou falar do #cparty aqui no blog, porque, além de eu não ter ido – e possivelmente não irei –, um monte de outros blogs de tecnologia estão fazendo excelente cobertura. Não só isso, também é possível acompanhar o LiveStream do BestBlogs e os posts ao vivo do amigo Yassuda.
(*)
Uma das maiores vantagens da vida acadêmica é a possibilidade de participar de algumas boas palestras sem ter que gastar absolutamente nada com isso. Os estudantes, grosso modo, as vêem como oportunidade para sair da faculdade mais cedo, ir para o bar e aquele papo cansativo de sempre. (Alô? Daqui a pouco você já está no mercado. Um abraço).
Hoje assisti a uma palestra do Jeff Paiva, da Agência Click, a queridinha da minha faculdade. Chamada pretensiosamente de “aula magna”, a palestra foi interessante por abordar alguns pontos que não eram tão novos assim, mas que são necessários ser discutidos por ora:
1 - A consolidação das mídias sociais, no que tange a seu papel decisório no processo de relacionamento com o consumidor: sabemos que estas mídias já são utilizadas pela propaganda há algum tempo. Mas o enfoque do Jeff é que eu achei interessante: até uns 3 anos atrás, a mensuração de resultados se dava por meio de institutos, única e exclusivamente; hoje, as mídias sociais também revelam resultados de suma importância para o negócio do cliente.
2 - Twitter e Flickr viram hype, mas de uma comunidade ainda restrita: convenhamos, não são muitos aqueles que conhecem essas duas ferramentas da web. E isso ficou bem claro pra mim quando o palestrante perguntou quem as conhecia e uns gatos-pingados levantaram a mão. Isso porque eu faço faculdade de PP. Esse fenômeno não é exclusividade da minha faculdade, eu sei. Mas isso aponta para um problema muito mais sério, que me incomoda desde o ano passado:
2.1 - A descompasso que há entre o que é ensinado nas faculdades, e o que é de fato praticado na profissão: a inexistência de cadeiras como mídias digitais é um fator que não alarma a princípio; mas a maneira que algumas disciplinas são ensinadas – utilizando cases antigos e anacrônicos – é o mais alarmante.
3 - O universo sem-fim da internet e a ausência do consumidor nos locais virtuais, onde agências digitais têm ação, faz com que a exposição das campanhas ainda dependa de um mecanismo básico: a repercussão, o Word of Mouth.
4 - É lindo falar pro consumidor enviar seu vídeo, declarando-se desesperadamente pela marca, para que a performance seja publicada no site ou no YouTube. Mesmo. Mas a agência nem sempre tem controle disso, e a marca pode ser agredida da maneira mais sutil possível. Retirar a ofensa do ar? Não, isso iria de encontro com os princípios da web 2.0. O segredo é transformar possíveis acontecimentos negativos em pontos positivos para a marca. E dá-lhe planejamento para isso.
5 - O consumidor nunca gostou nem nunca gostará de ser enganado: e hoje, mais que nunca, ele pode verificar se as promessas da marca são concretas ou não. E, é claro, ele possui variados meios para tornar isso público.
Durante toda a palestra, perguntava-me freqüentemente se as agências on-line, de conteúdo, de guerrilha, etc. representam o futuro, ou se são somente a ponta do iceberg que está para ser descoberto – e que dará sentido à existência das agências tradicionais quando elas não mais fizerem sentido.
- publicidade | Time: 3:33 am (UTC+8)