February 23, 2008

Projeções para o próximo ano

Como a maior parte das pessoas, faço algumas projeções para o ano que se inicia, torcendo para que algumas delas, mesmo que seja uma ou duas, se realizem. Um assunto que sempre acaba ganhando uma atenção especial é o meu trabalho. Por mais estável que possa estar em meu trabalho, fico numa neura sem fim, pensando na minha relevância àquele ambiente e à minha vida. Preocupo-me em não estagnar, aprendendo coisas sempre novas, mas questionando-me se vale a pena fazê-lo em detrimento de uma disciplina que eu ainda não sei se realmente acredito: a publicidade.

A publicidade nasceu com o intuito de comunicar novos produtos, todos sabem. Embora o formato tenha mudado drasticamente desde sua “fundação”, a publicidade sempre se sustentou no desconhecimento do público, dizendo o que quisesse sobre esses novos produtos… Algo análogo ao efeito placebo, disse o Seth Godin.

O consumidor, no entanto, mudou tanto quanto, ou até mais que os produtos, uma vez que o mesmo assistiu à disposição de novas ferramentas de informação totalmente simplificadas — em cerca de minutos o mistério de seu funcionamento cai por terra e elas passam a ser dominadas. Antigamente, se um diretor de arte quisesse copiar descaradamente uma peça que tivesse visto em um anuário estrangeiro, fazendo algumas alterações, ele poderia fazê-lo sem medo de ser rechaçado. Não teria dedos apontados em seu rosto, acusando-o de plágio.

Se a relação do consumidor com a informação, e também com as mídias, mudaram, o panorama publicitário deve, por conseguinte, ajustar-se sem hesitação. Muito mais da agência para afora, que da agência para dentro — até porque, acredito que os planos de comunicação (em que algumas poucas idéias devem ser defendidas ferozmente com belas palavras e slides ad infinitum) ainda perdurarão, bem como o esquema de atendimento. Os criativos têm a ciência de que não adianta inspirar-se em alguma campanha estrangeira e protegê-la sob o elmo da referência. O consumidor informado não é idiota.

A tendência é que esse mesmo tipo de consumidor construa sua base de valores de forma independente à propaganda. Esta não será tão mais necessária para divulgar algum lançamento. As guerrilhas podem ajudar, mas o relacionamento direto das marcas com seus consumidores, através do ferramental da informação, é um aliado muito mais forte que a propaganda. Advertainment? Talvez até consiga preservar a alma cool da publicidade por algum tempo, mas o nonsense maximizado acaba por transformar o comercial em uma espécie de curta-metragem entre os programas — o appeal deve ser grande para que alguém queira assistir a comerciais além dos próprios publicitários. E se a função da publicidade deixa de ser a divulgação, e passa a ser o entretenimento, então qual seria o real motivo de sua existência?

February 18, 2008

Freaky Valetine’s

O dia dos namorados lá fora (dia de São Valentim) foi semana passada, e, não diferente daqui, as agências aproveitaram para comunicar os produtos de seus clientes. Algumas optaram pelo óbvio, outras nem tanto. De qualquer forma, é uma boa época pra analisar o que essas agências fazem para sair do óbvio.

A 72andSunny manteve a linha do “nonsense-jovial” para o Zune. Aquele papo de não se importar muito em apreender o conteúdo do comercial, porque, na realidade, não existe conteúdo nenhum. Além disso, a preocupação com a construção de elemento visuais inerentes à campanha, parece ser muito maior que a construção de marca ou endosso do produto: você acha a campanha legal, bonitinha e tudo-o-mais, mas pode não se recordar posteriormente que se tratava do Zune. Não há promessas, benefícios nem features. Só a marca ao fim.


February 16, 2008

Novas mídias e o anacronismo

Não vou falar do #cparty aqui no blog, porque, além de eu não ter ido – e possivelmente não irei –, um monte de outros blogs de tecnologia estão fazendo excelente cobertura. Não só isso, também é possível acompanhar o LiveStream do BestBlogs e os posts ao vivo do amigo Yassuda.

(*)

Uma das maiores vantagens da vida acadêmica é a possibilidade de participar de algumas boas palestras sem ter que gastar absolutamente nada com isso. Os estudantes, grosso modo, as vêem como oportunidade para sair da faculdade mais cedo, ir para o bar e aquele papo cansativo de sempre. (Alô? Daqui a pouco você já está no mercado. Um abraço).

Hoje assisti a uma palestra do Jeff Paiva, da Agência Click, a queridinha da minha faculdade. Chamada pretensiosamente de “aula magna”, a palestra foi interessante por abordar alguns pontos que não eram tão novos assim, mas que são necessários ser discutidos por ora:

1 - A consolidação das mídias sociais, no que tange a seu papel decisório no processo de relacionamento com o consumidor: sabemos que estas mídias já são utilizadas pela propaganda há algum tempo. Mas o enfoque do Jeff é que eu achei interessante: até uns 3 anos atrás, a mensuração de resultados se dava por meio de institutos, única e exclusivamente; hoje, as mídias sociais também revelam resultados de suma importância para o negócio do cliente.

2 - Twitter e Flickr viram hype, mas de uma comunidade ainda restrita: convenhamos, não são muitos aqueles que conhecem essas duas ferramentas da web. E isso ficou bem claro pra mim quando o palestrante perguntou quem as conhecia e uns gatos-pingados levantaram a mão. Isso porque eu faço faculdade de PP. Esse fenômeno não é exclusividade da minha faculdade, eu sei. Mas isso aponta para um problema muito mais sério, que me incomoda desde o ano passado:
2.1 - A descompasso que há entre o que é ensinado nas faculdades, e o que é de fato praticado na profissão: a inexistência de cadeiras como mídias digitais é um fator que não alarma a princípio; mas a maneira que algumas disciplinas são ensinadas – utilizando cases antigos e anacrônicos – é o mais alarmante.

3 - O universo sem-fim da internet e a ausência do consumidor nos locais virtuais, onde agências digitais têm ação, faz com que a exposição das campanhas ainda dependa de um mecanismo básico: a repercussão, o Word of Mouth.

4 - É lindo falar pro consumidor enviar seu vídeo, declarando-se desesperadamente pela marca, para que a performance seja publicada no site ou no YouTube. Mesmo. Mas a agência nem sempre tem controle disso, e a marca pode ser agredida da maneira mais sutil possível. Retirar a ofensa do ar? Não, isso iria de encontro com os princípios da web 2.0. O segredo é transformar possíveis acontecimentos negativos em pontos positivos para a marca. E dá-lhe planejamento para isso.

5 - O consumidor nunca gostou nem nunca gostará de ser enganado: e hoje, mais que nunca, ele pode verificar se as promessas da marca são concretas ou não. E, é claro, ele possui variados meios para tornar isso público.

Durante toda a palestra, perguntava-me freqüentemente se as agências on-line, de conteúdo, de guerrilha, etc. representam o futuro, ou se são somente a ponta do iceberg que está para ser descoberto – e que dará sentido à existência das agências tradicionais quando elas não mais fizerem sentido.

February 6, 2008

Lego e Escher

A Jung von Matt/Alster, de Hamburgo, Alemanha, criou essas peças sensacionais para a Lego. O conceito é simples: unir o poder de criação contido no conjunto de peças da Lego à arquitetura impossível do artista gráfico holandês, Escher. Ou seja, a ausência de barreiras criativas de ambos os universos se consolidam nas unidades físicas de Lego. O resultado é interessantíssimo:

Paranoid Park

Fui assistir ao filme com boas expectativas. Aquela história de sempre: prêmio em Cannes, vai bem nas críticas, ad infinitum.

A história é sobre Alex, um pseudo skatista que, após ser convidado por um de seus amigos, vai para o Paranoid Park, uma pista de skate construída ilicitamente por outros skatistas. Lá, Alex entra em contato com a juventude marginal de sua cidade, além de se envolver em um delito.

Não vou me aprofundar mais no roteiro, até porque, qualquer detalhe revelado pode estragar a plot twist que ocorre durante a película. Quero apenas deixar registrada minha decepção com o filme. Eu sabia que não podia esperar muito de uma história que envolvesse skate. Mas, meu, ganhou prêmio no Festival de fucking Cannes. Tinha que haver algo de bom.

O filme é recheado com digressões. Tantas que o tornam moroso, confuso e chato. O resultado é conhecido: diversos dejà-vús; você sempre acha que já assistiu à determinada cena. A sensação de dominar o filme, ou se sentir parte do roteiro, querer descobrir a trama que ainda é devir, simplesmente não existe. Olha-se para o relógio frequentemente. Até ele não ajuda: as horas parecem passar mais devagar.

Fade in e fade outs também não colaboram. São lentos demais.

Os créditos ficam com a trilha sonora. É curiosa, interessante e torna momentos críticos e tensos em episódios que beiram à comédia.