Ontem fui à estréia de Herótica — Cartilha Feminina para Homens Machos, no Teatro Augusta. A peça traz Karina Barum, Márcia Manfredini e Iná de Carvalho interpretando uma mesma mulher em épocas diferentes de suas vidas: uma aos 30, outra aos 40 e a terceira aos 50. Entre outros, elas discutem a mania obsessiva que o homem tem por seu pênis, os tabus da sociedade falocêntrica e o papel subjugado da mulher pelos discursos machistas que, segundo o texto, está totalmente fora de moda. Darson Ribeiro faz papel antagônico e se senta em meio à platéia, questionando-as freqüentemente sobre o que querem, afinal, num relacionamento.
As atrizes são boas, encenam bem, embora uma delas, a que interpreta a mulher mais velha (Iná de Carvalho?), estivesse um pouco nervosa e esquecesse seu texto em diversas passagens da peça. O espetáculo começa quente, fica morno no meio e finda com um frio discurso panfletário e moralista — nada mais chato, convenhamos.
Dei umas cochiladas no meio da peça. Não agüentava o constante sobe-e-desce das atrizes do palco para a platéia, muito menos o jogo de perguntas e respostas encenado por elas e por Darson, o típico machista. Há uma tentativa de despertar novamente o interesse da platéia na metade da peça, quando as três mulheres recorrem a um homem aleatório sentado nas poltronas, fazendo-o subir até o palco e simular uma pose sexual. Chato, bobo, chiché e nada catártico.
As mulheres, acredito, são as que mais gostaram de Herótica. É claro, ver alguém verbalizar tudo aquilo que você sente, mas nunca teve coragem de dizer, deve ser delicioso. Mais delicioso ainda é ver o homem humilhado frente à grande platéia e pretensamente culpá-lo por todos os males sociais. Elas acreditam que o discurso machista está fora de moda; o feminista, praticado amplamente, é a solução ara seus problemas.
O que mais gostei foi que, ao final, na saída do teatro, distribuíam dados para homens e mulheres jogarem uns com os outros. Ao invés de números, as frases: tire duas peças de roupa, coloque uma peça de roupa… a moral é despir seu combatente. A única coisa divertida da peça, de fato.
EDIT: engraçado também os homens pagarem meia para entrar…