December 27, 2007

Para o ano de 2008 e anos posteriores

O ano de 2007 foi, no mínimo, curioso para a propaganda. Mais do que nunca, sentimos que as mídias, até então consideradas alternativas, ganharam força e foram exploradas de maneiras não usuais. Os virais foram repercutidos em meios de massa e, de certa forma, viraram a coqueluche de algumas agências: era como se aquele fragmento pudesse dar sentido a um todo, que é a campanha. Evolution ganhou Grand Prix, aqueles que não tem contato algum com agências, conheceram o erro crasso da Miss Carolina do Sul, riram do desespero do fã incondicional da Britney Spears, acharam curiosa a paródia de Thriller feita pelos presos filipinos; enfim, 2007 foi pontuado por vídeos curiosos que atraíram a atenção de uma parcela considerável de internautas brasileiros e gringos.

Como blogs estão se disseminando, e a mídias estão sofrendo um processo de democratização, pode-se esperar que o próximo ano seja repleto de mais virais, ou, até mesmo, o número de virais continue o mesmo; mas, como os pontos de difusão de informações estão se multiplicando, talvez a percepção que tenhamos seja a de que, de fato, há muito mais virais e que eles se espalharam em velocidade recorde.

Entretanto, um ponto que pode furar essa teoria é o seguinte: esses blogs todos que surgem estão cada vez mais se especializando em certos assuntos, formando equipes de pessoas com expertise semelhante ou até mesmo superior ao dos antigos formadores de opinião — leia-se jornalistas. Num primeiro momentos, os blogs foram utilizados como diários virtuais; agora eles servem como importantes meios de comunicação para nichos. Os blogs raramente questionam os veículos tradicionais, e raramente produzem suas próprias notícias: pegam resquícios aqui e acolá e tecem uma malha de informação com certos buracos, onde impera a miscelânea.

Além disso, observa-se que ainda predominam certos monopólios dentro desse mesmo âmbito. Ainda citando a publicidade, temos, no máximo, três blogs expressivos dentro da blogosfera brasileira. Não é necessário citá-los, porque já sabemos de quais se tratam. E, dentro desse monopólio que tomamos como exemplo, a informação é a principal recompensa dos leitores, é o que há de mais exclusivo que os leitores podem obter. Mas, se todos obtêm a mesma notícia exclusiva, ela deixa de ser exclusiva, certo?

Num texto intrigante, Seth diz que os monopólios estão morrendo, se já não estiverem mortos.

Os monopólios sustentam-se sobre o tripé:
1. Incentivo a determinadas redes de TV e rádio para dominar seus respectivos mercados
2. Direitos autorais, que nos fazem pagar muito mais por um bem do que ele realmente custa
3. O número limitado de fornecedores e o consequente espaço nas prateleiras

Acontece que essa tríade já foi rompida.

Na ausência dos monopólios, blogueiros, comerciantes e qualquer um que queira ser bem sucedido, deve criar um canal de comunicação eficiente com seu consumidor e criar privilégios. Como não se pode ser abrangente, a exclusão de algumas parcelas faz-se necessária. A Tifanny, nos EUA, já tentou fabricar jóias mais baratas, visando ao mercado popular e quase foi à falência. Perdeu credibilidade e cessou com a exclusividade.

O desafio do marketing do futuro será o de abranger as massas. Temos alguns exemplos nacionais, como a Casas Bahia, mas isso é só o começo. Por enquanto, o nicho, posteriomente, o todo. O desafio é maior e o cenário será mais hostil.

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