November 30, 2007

Guerrilha extremizada?

Não sei se todos já assistiram ao novo filme do Quentin Tarantino, o Death Proof. Longe de ser um Kill Bill — porque eu não poderia deixar de comparar, é claro — o filme, basicamente, dá voltas e voltas para mostrar sangue e pedaços de corpo sendo projetados para todas as direções.

Patindo dessa constatação, criou-se uma ação de guerrilha para o filme. Mas não foi uma ação qualquer…

November 16, 2007

Viral da Samsung?


November 13, 2007

Simplicidade

Boa propaganda não precisa ter uma direção de arte impecável. A campanha feita pela S&S para o sabão em pó Tide – Ace, por aqui – prova isso e se propõe a responder o questionamento que surge quando nos deparamos com algumas manchas: “De onde ela veio?”. É, também, a tangibilização de uma idéia presente no imaginário popular; algo como: “tá com a boca furada, é?”

O fundo branco das peças ajuda não só para que o leitor possa dar atenção à idéia (contida nos objetos, impossíveis de serem adquiridos, mas certamente responsáveis por causar manchas); a brancura vende o benefício básico do sabão-em-pó: a limpeza.

Uma outra idéia bacana que vi recentemente foi executada pela agência Tequila, de Istambul. Os caras precisavam divulgar os serviços de uma produtora de jingle, a Jingle Mingle, através do uso de malas direta, enviadas para agências de publicidade e outras produtoras. A agência, então, enviou um pacote, dentro do qual havia um daqueles brinquedos que têm histórias dos animais da fazenda, cantadas de maneira infantil. A gravação precária, inerente aos produtos fabricados na época, serviu como mote da campanha, que sugeria: “se você só quer se divertir, música é coisa pra criança; se você quiser um som melhor que esse, entre em contato conosco.”

Pode até não ter dado algum resultado – principalmente quando falamos em agências que possuem suas produtoras preferidas e aquelas com as quais trabalham usualmente –, mas a ação é tão criativa em sua simplicidade, que eu não duvido que a Jingle Mingle não tenha sido sugerida para produção de algum novo jingle.

November 12, 2007

A terra do celular

As campanhas de celular que vemos por aqui são, grosso modo, marcados por uma certa inércia. Independente do formato, o conteúdo prega um consumo pressuposto nos atos de seus personagens. Quando isso não acontece, o tipo de propaganda é claramente delineado por uma aura varejesca, responsável por exorcizar todos os sentimentos outrora embutidos. A real relação que o usuário possui com seu celular, independente de sua funções, é esquecida; o consumidor se depara com um estilo de vida onírico, representado por grafismos agradáveis ou situações que provocam, no máximo, sua simpatia.

Na França, a campanha criada para a Bouygues Telecom, foi justamente o avesso a essa homogeneização. No comercial, deparamo-nos com a materialização dos contatos da agenda de um celular. O mais bacana dessa abordagem, é a personalização dos avatares registrados junto aos nomes dos contatos. Mesmo que não utilizemos fotos para identificar aqueles para quem ligamos, deixamos marcada a diferença de números entre a casa, o celular e o telefone comercial de uma mesma pessoa.


A linguagem utilizada na internet também não poderia ter sido deixada de lado. Dando continuidade à campanha, um outro comercial ilustrava a conectividade que os celulares da companhia telefônica possuíam com o Windows Live Messeger. Mas, seguindo a mesma linha de raciocínio da propaganda acima, a idéia foi ilustrar a adoção de uma nova personalidade quando nos conectamos aos serviços online.


A propaganda pode, sim, ser bonita. Mas deve ser, sobretudo, incisiva e ter um apelo claro ao consumidor.

November 8, 2007

Make my logo bigger cream

Sonho de todo cliente? Ou já podemos dizer que grande parte deles já alcançou um certo patamar de maturidade e acredita que suas vendas sejam impulsionadas por outras ferramentas que não a propaganda?

Creminho milagroso criado pela agência Fusion, que não se contentou com um só produto e fez logo uma linha toda. Link abaixo.

Make my logo bigger cream

November 3, 2007

Aplicação da comunicação para produto brasileiro

Devo confessar que todos os assuntos e cases abordados até agora no blog não são coisas que se afastam muito do meu cotidiano. Sou o tipo de pessoa que, se pudesse, passaria horas no supermercado, lendo as tabelas nutricionais e procurando por novidades que tivessem algum apelo à qualidade de vida. Aquele corredor de produtos naturais é uma espécie de Canaã – a terra em que corre leite e mel – pra mim; a diferença é que o leite tem que ser desnatado. Certo, mas esse parágrafo não serve pra ser uma enrolação jocosa pra deixar o post maior. É que, de todas essas visitas ao supermercado, eu nunca vi uma bolacha recheada integral (muito menos light ou diet). Aquele recheio é basicamente gordura hidrogenada, então fazer aquilo ficar saudável é tarefa quase hercúlea.

Como vimos nas tendências postadas até agora, os alimentos estão caminhando na direção do saudável. Por mais que o consumidor não corra aos domingos no Ibirapuera, recuse categoricamente rodízios de pizza, negue a todo custo um pudim de leite, eles consomem alimentos “nutritivamente corretos” para satisfazer uma necessidade criada, além de isso ser um paliativo para a ingestão demasiada de calorias advinda de outras fontes. O gosto dos produtos sendo lançados também colabora muito para o desempenho positivo desse tipo de alimento, até porque (por mais óbvio que isso possa parecer) se eles fossem ruins, não seriam consumidos.

A respeito do mercado de bolachas, sabe-se que, segundo a SIMABESP, Sindicado das Indústria de Massas Alimentícias e Biscoitos no Estado de São Paulo, o Brasil é o segundo maior produtor de bolachas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Esse mercado se caracteriza pela pulverização de produtos e existência de elevado número de concorrentes regionais. Não obstante, as classes C e D constituem o principal público consumidor de bolachas em todo o Brasil. É por esses motivos que algumas empresas, como a Kraft, estão apostando na região Nordeste como pólo de vendas, e implementando parques industriais na região.

Por estar vinculada às classes C e D, os fabricantes de bolacha sabem que suas vendas estão atreladas à prosperidade econômica do país; sabem, também, que o que vendem não são bens de primeira ordem, então, se as condições econômicas não forem satisfatórias, um chefe de família não vai pensar duas vezes antes de excluir uma bolacha recheada de seu carrinho de compras. Por isso que algumas empresas estão lançando versões individuais de suas bolachas, como a Passatempo e a Negresco: a quantidade inferior de bolachas por pacote se reflete no preço também inferior e possibilita uma compra sem muitos gastos. O case do Danone é exemplar e serve para ilustrar a situação:

O petit suisse de frutas é um dos alimentos que crianças e pais mais gostam, devido a seu sabor adocicado e fatores de nutrição, respectivamente. O produto foi encarecendo devido à alta do preço do leite, um de seus principais compostos, e foi perdendo seus consumidores C e D, classes mais expressivas na compra do produto. A tática adota foi fragmentar o Daninho, oferecendo duas unidades, e deixar estampado seu preço na própria embalagem. Deu certo, principalmente porque o produto tem relevância; as pessoas simplesmente não queriam abrir mão da marca.

Trakinas é uma marca relevante, não há dúvida. De acordo com a Kraft Food, a marca é líder com 16% de market share. A Trakinas, junto a Nestlé, foi, inclusive, líder no Folha Top of Mind. No ano anterior, foi lançada no Nordeste a versão individual, com 140g, aumentando o consumo do produto (fato semelhante ao caso da Danone). A Kraft soma sabores diversos e outras linhas como a Mini e Wafer. O exercício final de comunicação, então, será para uma (imaginária, mas muito bem-vinda) nova linha lançada pela Trakinas, a integral light.

É claro que o lançamento dessa bolacha teria uma série de vantagens competitivas, como o ineditismo integral e light dentro da categoria, o apelo à saúde, também inédito, e um englobamento maior de públicos-consumidores. A comunicação, portanto, deve abordar os seguintes temas:

O gosto é diferente?

Já vimos no blog que as empresas, em âmbitos nacional e internacional, estão tomando muito cuidado para manter o appetite appeal de seus produtos. Não adianta querer fazer mil peripécias com seus ingredientes e o produto final ser algo exótico, que não mobilize os consumidores potenciais para o trial. As versões integrais, light, diet, etc. vêm com a promessa básica de suprir a falta que o sabor do original eventualmente faria. Assim, temos que um dos pilares da comunicação deve ser o sabor: aquele que consumiu Trakinas sabe que é bom. Ele não precisa se preocupar com o gosto do novo produto, pois a equipe formada pelos especialistas em guloseima, juntamente aos especialistas em saúde finalmente chegaram a uma conclusão e trouxeram a nova Trakinas integral light.

É uma abordagem interessante para comunicar a novidade para o público tradicional de Trakinas, crianças e adolescentes, justificando o sabor de maneira caricata e divertida. Além disso, a palavra “finalmente” dá destaque ao produto e deixa os concorrentes numa posição de desvantagem: eles estão atrasados; os dois times deles, da guloseima e da saúde não entraram em um consenso e continuam oferecendo bolachas que privilegiam mais um lado que o outro.

Um dado pertinente: na comunidade do Orkut, há quase 500.000 pessoas cadastradas, ou seja, é uma das maiores comunidades e reúne pessoas das mais variadas idades.

Tá, mas o que eu ganho comendo isso/ o que meu filho ganha comendo isso?

A comunicação deve comentar sobre as propriedades naturais e funcionais do produto. Ele vai crescer mais saudável e não terá que abrir mão do alimento que ele gosta. Será como juntar as vontades dos pais às dos filhos.

Para o público mais velho, o argumento continua sendo o bem-estar, qualidade de vida e aspectos adjacentes aos anteriores. A vantagem é que, aliado ao conhecido gosto de Trakinas, as fibras ajudam no trato intestinal e o aspecto light auxilia na manutenção ao peso.

Essa abordagem se difere da primeira, porque leva em consideração as características intrínsecas do produto.

Mas o produto vai precisar se reposicionar?

Apesar de o público-consumidor aumentar, assim como o número de concorrentes – como a marca Vitao e Jasmine, por exemplo – acredito que o foco deve continuar sendo o dia-a-dia das crianças em situações engraçadas e divertidas.Os outros tipos de público são impactados pela campanha pela curiosidade e pelo conteúdo, não pela forma.

A estratégia da comunicação?

” São as mesmas carinhas, o mesmo sabor, muito mais saudável” é a assinatura da campanha e consolida tudo que foi defendido até agora.

A mídia contempla inserções em TV aberta e paytv, rádio, revista e internet. Esse último meio deve ser priorizado, devido à sua afinidade com o target. Recomenda-se a criação de uma “plataforma de relacionamento” como o ilustrado no post em que comento sobre a bolacha Plug@ados. Tv aberta e paytv ajudam a disseminar a marca a públicos diversos. A respeito da paytv, a inserção estratégica auxiliará no impacto da mensagem. Por exemplo, o mesmo filme num comercial do Cartoon Network e num comercial do Discovery Home & Health atingirá públicos diferentes. Não haverá necessidade de adaptar os conceitos de comunicação em detrimento do target visado. Jornal e revista ajudarão da mesma forma, sobretudo revista, por causa do elevado número de títulos em circulação.

A presença no PDV também é uma estratégia de suma importância, principalmente se a criança estiver junto de seus pais. Quantas vezes vemos elas dizerem que querem isso ou aquilo e colocarem produtos no carrinho? Será um PDV que chame atenção, presente nas principais redes de varejo do país. Haverá brincadeiras, personagens dos times de especialistas do sabor e da saúde e distribuição de brindes. Nos mercados populares, por causa de sua quantidade e, em alguns casos, difícil acesso, o material para gôndola será muito importante.

Uma mecânica promocional também é sugerida, com utilização de internet e SMS, visando uma participação de todos os públicos, oferecendo prêmios, mas não de maneira gratuita; brincadeiras, charadas e acúmulo de pontos – “carinhas” é o nome da moeda – se reverterão em premiações.

Guerrilha? Não, também já vimos que se e somente se for muito pertinente.

November 1, 2007

Truísmo alimentar

Essa história toda de leite adulterado e queijo vencido mascarado com embalagem nova, serve para um exercício de raciocínio que, na maioria das vezes, não fazemos: de onde será que realmente vem tudo aquilo que consumimos? Será que todos os ingredientes que constam ali são devidamente fiscalizados por um órgão competente; se não, as devidas punições são aplicadas ou os meios ilícitos, permeados por dinheiro, ditam as regras do jogo, favorecendo o lado criminoso? Tabela nutricional, prazo de validade, peso… Tudo isso condiz com a realidade ou é apresentado de uma forma que pareça agradável ao consumidor?

Alguns produtos internacionais já contam com um sistema de rastreamento de matéria-prima, possível de ser visto por qualquer consumidor à hora e dia que quiser. Com uma tendência socialmente-responsável imperando, as pessoas, sobretudo as estrangeiras, não se preocupam somente com os malefícios que esse ou aquele produto podem lhe causar, mas se preocupam com os danos implicados diretamente ao meio-ambiente. A fidelidade a marca deixa de ser algo ligado somente ao produto físico; ela passa a englobar a cadeia de produção, consumo e conseqüências futuras, ou seja, a fidelidade é estipulada por uma relação de longo prazo, em que a quantidade de tempo não significa o aumento de credibilidade.

A Dole Organic é uma multinacional, composta por agricultores, ensacadores e vendedores que, segundo o site, se empenham em oferecer alimentos de alta-qualidade, sem com isso prejudicar o meio-ambiente. Aos alimentos da empresa vem uma etiqueta com três números que, se inseridos na home page, garantem acesso às origens do produto – país de origem, unidade de produção e certificado orgânico (com os devidos nomes dos órgãos responsáveis) – além de exibir uma série de fotos da plantação. Usem os números da imagem abaixo e vejam como é interessante.

Não tão informativo como a Dole, mas ainda na mesma onda, a My fresh egg é um site que se destina a produtores e fazendeiros que desejam saber mais sobre os ovos que lhes são entregues. Dados como data de processamento, marca do ovo e rastreamento podem ser conferidos na página da empresa. Sob o ponto de vista do consumidor, o sistema é interessante para saber por quanto tempo seus ovos “nasceram”.

A marca espanhola Borges fez algo semelhante com seus azeites, oferecendo informações desde as plantações de olivas até o engarrafamento e venda. O sistema de rastreamento da Borges dá acesso a nove informações que a marca julga ser as mais importantes quando se trata de azeite: origem geográfica das olivas, data de prensagem, produtor, local de prensagem, quantidade de litros engarrafados da mesma safra, data de engarrafamento, grau de acidez, nota e padrão de gosto.

(Outras categorias também vêm adotado um sistema semelhante, como a Timberland que disponibiliza uma espécie de “tabela nutricional” de seus tênis, informando sobre impactos ao ambiente, à sociedade e o país de origem.)

O traceability é uma resposta dessas empresas ao crescente poder do consumidor. É uma prática louvável e que colabora para com a imagem da marca e lhe dá um status de transparência. Entretanto, devemos tomar alguma precauções:

1. Será que essa transparência é desejada por todos os consumidores e vale a pena ($$$) ser implementada pelas empresas?

2. Como aplicar os princípios da traceability em produtos que não aqueles ligados à alimentação, como produtos de higiene, por exemplo? Será que o modelo aplicado pela Timberland seria uma opção justificável nesse caso?

3. O mais importante: será que essas informações todas também não poderiam ser adulteradas, gerando um grau de insatisfação maior ainda que aqueles causados pelo caso do leite e do queijo vencido?

A conseqüência disso, sabemos, seria um consumidor mais cético e exigente, distante da marca e de todas suas propostas. A comunicação teria de se readaptar e ser mais eficiente ainda. Seria o fim do apelo emocional? Não sabemos ainda.