Sobre manteigas, margarinas e padrões de consumo
Segundo o wiki, a manteiga, alimento tão comum nos lares brasileiros, é mais antiga que aparenta: surgiu entre 9000 e 8000 A. C., na região da Mesopotâmia, feita a partir dos leites de cabra e ovelha. O processo de fabricação é bem simples, você pega a nata do leite, agita por um tempo considerável até transformá-la numa emulsão. Pronto, sua manteiga está feita. É claro que desconsidero as eventuais adições de conservantes e compostos químicos, mas basicamente é isso.
A margarina surgiu como substituta à manteiga, principalmente pelo fato desta, sobretudo no século XVII, ser mais cara. A iniciativa de substituição foi amparada por políticas de benefício napoleônicas que incluiam, entre outros, uma recompensa.
Desde então, a maneira pela qual manteiga e margarina são consumidas vem mudando concomitantemente às transformações sociais. Se antes a preocupação do consumidor era única e exclusivamente relativa ao gosto e a consistência do produto, hoje assistimos a um boom de lançamentos: são novos sabores, novas propriedades funcionais, novas terminologias. Não obstante, o fato de a gordura ser o principal componente das manteigas e margarinas, seu consumo, grosso modo, vem articulado aos padrões de beleza vigentes na sociedade em que se insere.
Na propaganda criada para a America’s Dairy Farmers National Dairy Board, por exemplo, percebe-se uma clara defesa da manteiga, justificada pelo sabor intrínseco ao leite, impossível de ser obtido pela margarina – composta, segundo o comercial, por água e gordura hidrogenada. Mostrar pedaços de manteiga, deslizando sobre alimentos diversos ou chapas quentes, foi uma fórmula amplamente adotada e que pareceu funcionar. Todos estão lembrados da clássica campanha do Guaraná Antarctica?
Numa segunda fase, durante os anos 90, a preocupação com o corpo tornou-se pauta, e as inscrições nas academias aumentaram em progressão geométrica. Este período é pontuado pelo surgimento de grandes redes de fitness, como a Runner, Fórmula e Bio Ritmo, e o despertar de uma consciência que repudiava curvas exacerbadas do corpo e apregoava uma certa homogeneização nos padrões estéticos.
“Na década de 90, a "era do corpo", ocorreu um boom de praticantes em academias. Você sabe a razão? Na década anterior, as academias se uniram em eventos na praia, na TV, nos parques, junto a órgãos municipais e estaduais, ressaltando a alegria de se fazer atividade física, e isso levou muita gente para as academias.” Via
”Durante o boom das academias na década de 90, reinamos em berço esplêndido tranqüilos de nossa posição com clientes entrando aos milhares nas academias e professores dando aulas com salas lotadas. As academias ganhavam muito dinheiro e os professores, também. Os anos passaram, a demanda de clientes não aumentou (ainda bem que não reduziu!!!) ,mas aumentaram o número de academias por região. Resultado??Todos estão dividindo a mesma fatia do bolo, isto é, um cliente , hoje , é disputado por no mínimo, 10 academias.” Via
É quando surgem as palavras "light" e "diet" que, para muitos, são mágicas e expurgam a culpa que havia ao comer um açucarado bolo de chocolate e lamber os dedos melados em seguida. "Light" e "diet" eram como panacéias.
Acontece que essas duas palavrinhas caíram no gosto popular (mesmo que as pessoas não soubessem distingui-las) e a premissa básica para um produto ter sucesso, era ser light/diet. A comoditização dos termos inspirou nos fabricantes uma vontade insaciável de achar um novo hype: os alimentos funcionais.
”Alimento funcional é aquele alimento ou ingrediente que, além das funções nutricionais básicas, quando consumido como parte da dieta usual, produz efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica. A eficácia e segurança desses alimentos deve ser assegurada por estudos científicos.” Via
Bem-estar, wellness, saudabilidade e outras palavras sinônimas explicam a atual fase de consumo de alimentos, que vai ao encontro de seus fabricante. A antiga manteiga, dourada e cremosa, junto à margarina, acumulam sabores saudáveis, compostos benéficos ao coração e outros órgãos, além de negarem categoricamente a gordura trans em suas tabelas nutricionais. (A gordura trans, a propósito, virou a grande vilã das mesas dos domicílios brasileiros).
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Não tenho nem o que dizer de vc.. da sua capacidad e da sua inteligência… apenas… SENSACIONAL!
AMO!
Bjos com MUITAS saudades!
Comment by Janaa — October 30, 2007 @ 5:49 pm